Elisabete Rodrigues

Eu amo minha vida

Textos

Inevitavel
Me lembrei das pessoas que ficaram para trás, mas me lembrei ainda mais daquelas, pelas quais eu fui deixada para trás.
Muito do que gostaríamos de decidir, não fica realmente em nossas mãos.
Conhecemos pessoas e somos obrigados a nos despedir um dia.
Pior é quando percebemos que não tivemos valor para alguém que nos dedicamos tanto... Um amigo ou amiga, que pensávamos, ser para sempre.
É difícil aceitar como nos tornamos descartáveis uns para os outros em nome de uma sobrevivência forçada, de uma sociedade enlouquecida em seu ritmo alucinante.
Entramos nessa onda de velocidade e as pessoas que passam em nossas vidas chegam e se vão como água, não importando mais o que acontece em seguida.
Cruel é quando as pessoas nos descartam sem mais nem menos, sem ao menos ter a decência de nos dar uma satisfação.
Triste é ser desprezado e totalmente ignorado, como se nem tivéssemos existido.
Vivemos numa sociedade onde as pessoas “ficam”, trocam suas energias mais fortes e profundas com desconhecidos.
Fogem de relações que somam em troca das que aparentemente não fazem diferença alguma, quando na verdade subtraem sim.
Subtraem nossos sentimentos, nossos valores, nossas possibilidades de evolução emocional, de valorizar o outro, de conhecer o próximo e a si mesmo de forma mais profunda.
A sociedade de hoje é doente, onde o conhecer pessoas em sua essência se tornou algo raro.
O olhar ao outro com o coração é estranho e não natural como deveria ser.
Amigos já não parecem ser tão amigos assim.
Amores, só de final de semana ou fim de festa.
Somos todos bem-vindos a era dos relacionamentos virtuais.
Fico feliz ao não me encaixar nessa modernização das relações humanas.
Gosto e faço questão do encontro pessoalmente, do ouvir a voz e o olhar nos olhos.
Gosto do abraço apertado e uma conversa franca sobre quem eu sou, além do que aparento ser.
Aprecio o conhecer o outro na sua mais profunda intimidade, desde suas qualidades até as fraquezas mais escondidas.
Admiro o buscar de afinidades, o respeito pelas diferenças.
Vivo o longo momento do conhecer e do se reconhecer no outro, que para mim, vai bem além das centenas de mensagens via celular.
E se não nos encaixamos, acabamos por nos sentir sozinhos, por ainda possuirmos algo de tamanho valor e esquecido pela maioria, sendo assim, ficou difícil encontrar os que sobraram da mesma espécie.
Espero que a amizade e o amor não entrem em extinção com tanta modernidade.

Elisabete Rodrigues
Enviado por Elisabete Rodrigues em 30/06/2017


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